domingo, 14 de fevereiro de 2010

Epsódio 3 [1/5] – Garota Online (K.C.)



O dia teria começado ótimo se Ahmon não tivesse mandado uma mensagem dizendo que estava indo viajar pela manhã com os pais para Tokyo! Tokyo??? Por quê??? É do outro lado do mundo!
Começamos com essa pequena mudança. Por fim abri a janela do quarto que dava pra uma sacada, Vinte e cinco graus na sombra e quarenta no sol. Ainda isso! Calor desgraçado. Fui logo pra dentro. Peguei um short branco pra combinar com o maldito bronzeado que peguei no fim de semana, quando minha mãe resolveu sair para uma reserva comigo e lance. Papai teve que viajar a negócios, como sempre. Nunca mais o vi ficar em casa. Às vezes acho que mamãe não se toca que na nossa vida somos apenas eu e Lance e que não faz diferença a presença de Daniel. Já que a altura felizmente me ajudava, pus uma sandalha plataforma azul escuro e uma blusa da mesma cor. Peguei uma mochila que ganhei do Daniel combinava com a roupa, mas preferi não usar. Peguei uma bolsa que mais parecia uma ancora branca de usar atravessada no corpo, quase maior que eu. E tive que admitir que mamãe até que entende a minha necessidade de usar bolsas grandes. Enfiei o estojo meu diário e o caderno. Deixei o cabelo enorme solto, penteei e depois sacudi o deixando de qualquer jeito para trás. Passei protetor, rimell e gloss... Nada normal. Court iria reparar. Sem meu corsário jeans surrado, minha camisa gigante e listrada e meu all star empoeirado. Mas hoje estava pouco me lixando.
Sabe aquela história de que não dá pra piorar e sempre tem algo que ajuda? Pois é! Eu já estava atrasada. Quando cheguei na casa de Court ela já estava me esperando do lado de fora, batendo seu salto agulha com seu vestido azul Royal básico.
- Onde você estáv... – ela entra rápido e olha pra mim – Quem é você e o que fez com minha amiga? – ela sorri. – Aiiii! Descobriu que é menina!!!! – os olhos dela brilham.
- Engraçado, Court! – digo arrancando. Corro feito uma louca para chegar na escola. Estaciono com sorte na vaga de sempre.
- O que deu em você? – Court ainda está curtindo com a minha cara. Acho que nossa viagem de cinco minutos não foi o suficiente. – E você... VOCÊ ESTÁ BRONZEADA!!!!!!! VOCÊ SABE QUE ESSE É MEU SONHOOO! – ela diz quase chorando.
- Court, você não precisa desses artifícios. E acredite, doeu muito antes de ficar assim. – eu digo relembrando o quanto fiquei vermelha e tive que passar duas noites inteiras passando hidratante corporal com o ventilador em cima de mim.
- Não importa. Agora até roupas brancas você pode usar. – “Como se eu não pudesse usar antes.” Revirei os olhos. Foi então que ela olhou para meus pés. – O que você está calçando?
- Deus dos Céus! Você pode parar? Meu namorado foi pra Tokyo, minha mãe fez eu passar um dia inteiro torrando no sol porque o casamento deles ta uma droga, eu to de tpm, e pra ajudar hoje está quente demais da conta. Não sei como as coisas podem piorar. – eu digo estressada. E é então que acontece. Chegam os celulares de tooooda escola três postes de um blog novo de alguma garota picuinha. – Ai... Só me faltava essa. – digo tirando os óculos escuros.
E para piorar os post eram sobre mim, Court e Ahmon (você pode ler as postagens no blog da boo.girl87) Era realmente ofensivo. E pra piorar Adam está a poucos passos de mim quando lê a perversa maldita e terceira postagem da garota.
E eu que achei me meu dia não podia piorar. Adam olhou para mim calado como sempre. Nada pior que os olhos incríveis e claros de Adam para fazer meu coração saltar feito um pára-quedista com tanta rapidez que parece que vou enfartar. O que só piora é que eu começo a enrubescer.
- Ela disse que eu não sei o que quero? – Court diz lendo o segundo.
- Essa garota se acha muito esperta não é mesmo? – digo puxando Curt pelo braço e a carregando desesperada pelos corredores até chegarmos à direção do jornal. Nosso maravilhoso lar, nossa casa dentro da escola.
- Quem é essa louca que quer comprar briga? – Eu digo tirando meu disfarce enquanto Court faz beicinho enquanto rele mais uma vez o que a garota intrusa diz sobre nossas vidas nada importantes para quem quiser ler. – Ela quer comprar briga. Quer criar um jornalzinho online. Ridícula.
Olho para Court que está sem palavras.
- Amiga! Não fica assim... A gente supera tudo isso. – eu digo tentando convencer até a mim do que estou falando.
- Você é fácil dizer. É sempre super segura do que faz e não liga para opiniões alheias.– Como as pessoas se enganam.
- Qual é?! Nós duas sabemos que a segura de si aqui é você. – eu digo me jogando na minha poltrona vermelho sangue que eu usava para meditar.
Ficamos as duas em silêncio. Eu pensava em como aquela maldita teve acesso à tantas coisas. Não era possível que uma mente tão maquiavélica possa estar perto de nós. Quando olhei para Court com esperanças de lançar essa garota maldita como matéria, ela estava a ponto de chorar.
- Eu não acredito, Court! – ela tenta sorrir sem sucesso. Penso rápido em algo que possa distraí-la e logo penso na única pessoa possível. – Por que você não vai procurar por Sam? Acho que ele pode te consolar melhor que eu... Ele sempre faz você rir mais que eu. – eu digo esperançosa.
Ela fica me olhando por um tempo, os olhos claros lacrimejando. Ficamos em silêncio por um minuto inteiro, parecia que alguém tinha morrido. Até me arrepiei quando pensei nisso.
- Tudo bem... Vou procurar ele... – ela levanta sem energia da poltrona dela e sai da sala.
E quanto a mim fico tentando tomar coragem para sair da sala, porque ao contrario de Court eu não tenho quem me console.

***

Entro na aula de inglês em silêncio. Ouço todos ao mesmo tempo. Parece um coro de comentários sobre a tal garota picuinha, na verdade ela se autonomeia como BooGirl87. Fala sério!, a garota ainda tenta dar uma de Gossip Girl e escolhe um nome ridículo desses e se intutila a Garota Online?!
Mas como o papo favorito das liderzinhas de torcida eram pessoas inocentes e queridas como eu e Court, pessoas nada populares e que se destacam de uma certa forma por causa dos dons que tem, a Picuinha ofereceu para elas um banquete.
Fui para o fundo da sala, quase não sendo reconhecida por Stacia Honnor uma das cabeças de pompom, na verdade a líder delas. Falando para quem quisesse ouvir que era um absurdo que Adam quisesse algo comigo porque ele estava com ela. Dei de ombro e segui para meu lugar perto da janela no fundo da sala.
- Hey, Carter! – ela me chama rindo com as garotas – Cadê seu namorado?
Eu simplesmente prefiro ignorá-la e dou graças quando vejo o Sr. Williams entrar na sala. Assim Stacia e as outras eram obrigadas a virar seus rostos para frente e prestar atenção no nosso maravilhoso e forte professor de inglês.
Ele abriu a pasta de provas, tínhamos feito uma na semana passada. A qual eu tinha certeza de ter ido absolutamente bem. Era sobre o livro Orgulho e Preconceito da Jane Austen. Minha mania de ler livros antigos me dava mais vocabulário e mais vontade de escrever. Por isso gasto a maior parte do tempo no jornal.
Ele foi entregando as provas. Vi um B+ na folha da prova de Stacia que recebeu um elogio fofinho do professor. Ele seguiu passando pelos alunos, Stacia emocionada começou a comentar com as marias-pompom sobre sua nota maravilhosa que ninguém naquela sala poderia ultrapassar.
- Parabéns, Kris! – meus olhos chegaram a brilhas quando ele me chamou pelo apelido, ele era alto, lindo, moreno, sexy, e tinha um sorriso tão perfeito que até o Brad Pitt teria inveja. – Sua nota foi a melhor da sala. – Ele me entrega o A+ com uma dedicatória escrita ali. Aiiii! Que lindo *-*(Opa! Faleidemais.com) - Continue assim. Se puder esperar um pouco depois da aula para que eu possa conversar com você um instante. Quero lhe fazer uma proposta.
- Okay! – respondo tão feliz de ver a cara da líder cabeça-de-pompom que está com a cara fechada. Eu faço uma careta pra ela e mostro a língua assim que o professor Williams sai.
A aula seguiu quase perfeita se eu não ouvisse os constantes comentários do blog maldito. O qual meu querido professor fazia questão de abafar, dizendo que era hora de aula não de comentar futilidades que não diziam respeito a ninguém, muito menos a essa tal garota.
Fala da nossa próxima atividade, que seria escolher um livro clássico ou best seller da lista que ele passaria para que escolhêssemos. Entre as escolhas estava o livro de Stephenie Meyer, foram os primeiros a serem escolhidos. Quando chegou a mim não tive muitas opções. Mas por fim escolhi um que ninguém iria querer na sala até porque é uma das nossas leituras obrigatórias. Escolhi O Morro dos Ventos Uivantes da Emily Brontë. Mesmo sabendo que teria de parar de ler Para Sempre os Imortais de Alyson Noël... Na verdade com esse estresse todo de garota picuinha eu iria terminar o livro logo. Já estou ficando viciada na verdade. Comprei o Livro no sábado com minha mamãe e já estou prestes a comprar o outro de tão rápido que o li.
Por fim a tortura de garota picuinha termina quando os alunos saem da sala. Eu fico ali guardando meu caderno e meu estojo sem vontade de sair da sala e ir para Álgebra II.
- Então Kris. – Sr. Williams começa a falar assim que me encosto na mesa a frente dele. – Como se sente?
- Estou bem. – digo sem parecer abalada. Mas minha voz me traia.
- Olha isso é coisa de quem não tem o que fazer. Não ligue.
- Eu não ligo... Não tanto quanto Court. Ela quase chorou. Sei lidar bem com essas coisas ruins. Court tem o defeito de achar que todos são passivos e que no fundo são pessoas boas. Não consigo me iludir assim. – digo dando de ombro – Mas o que o senhor queria falar comigo?
- Na verdade, só queria ver como você está. Sinto muito pelo seu namoro. – ele diz parecendo sentido por tantas coisas ruins ao mesmo tempo.
- Ah, tudo bem. Ahmon volta semana que vem.
- Quem disse?
- Ele me disse. – digo agora parecendo preocupada. – Por quê?
- Bom segundo o diretor Ahmon saiu do colégio. Parece que o pai recebeu uma promoção e se mudou para Tokyo. – Então por isso ele estava estranho quando disse que iria viajar. – Desculpe. Não devia ter dito isso a você.
- Na verdade devia sim. – digo piscando rapidamente como se fosse conseguir segurar as lagrimas.
- Sinto muito, Kris. – ele diz levantando e me abraçando. Afagando meus cabelos longos enquanto eu chorava desesperadamente em seus braços fortes e quentes, parecendo meu coração retumbar contra meu peito pela perda e pela sensação de estar sendo abraçada pelo meu ex-pseudonamorado.
Aqui é K.C. direto de faleidemais.com

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